Foda! Muito Foda!! Absurdamente Foda!!!
Não existem palavras mais apropriadas para descrever o melhor show do ano, incontestavelmente. Aliás, esse seria o melhor show da maioria dos anos. O Angra foi Foda como sempre, o Whitesnake foi além, foi Muito Foda e o Judas conseguiu ser absurdamente, absolutamente, incrivelmente, fodonicamente FODA!!!
Claro que o show teve os seus contratempos. A fila gigantesca com um sol escaldante (apesar de a gente ter chegado cedo e pegado um lugar bom) foi desagradável. As 3 horas em pé com um monte de homem suado em volta assistindo a incompente equipe do Angra bater o recorde de lerdeza na montagem de um palco não foram exatamente um passeio no parque. O empurra-empurra foi, sim, onipresente, como sempre. E a minha maré de azar marcou a sua presença, fazendo com que eu perdesse a minha carteira com documentos, cartões de crédito e dinheiro dentro. Mas todos esses detalhes serão sempre notas de rodapé na história da minha vida, porque esse show marcou e não só porque foi o primeiro - e espero que não o último - show do Judas Priest da minha vida, mas principalmente porque foi o melhor show que eu já vi na minha vida, empatado com os shows do Iron, que eu acreditava serem insuperáveis.
A noite começou com um Angra animado subindo no palco pra tocar um set que não foi tão curto quanto eu esperava. Eles tocaram umas 10 músicas, fazendo um show de praticamente uma hora, bastante para uma banda de abertura, o que mostra que esse não seria um show normal e sim um festival. Tocaram várias músicas do novo disco, algumas do Rebirth e duas da época do André Matos. Mostraram a competência de sempre e que têm moral pra abrir para as bandas que viriam a seguir.
Mas por melhor que o Angra tocasse, o show de verdade só ia começar depois. E foi o Whitesnake que realmente levou o público à loucura. Verdade seja dita, o Coverdale canta pra caralho! E ele sabe animar uma platéia, talvez com mais presença de palco que o Halford que viria depois. Mas também fica fácil quando se faz um show com tantas músicas clássicas que ficaram marcadas na cabeça de todos, como
Here I Go,
Love Ain't no Stranger e
Still of the Night. Mas se engana quem pensa que o Coverdale e as músicas clássicas sejam os únicos trunfos do Whitesnake. A banda era muito boa, com dois guitarristas competentes e um baterista que fez um dos melhores solos que eu já vi, além de um Coverdale que não tem medo de deixar os outros membros da banda brilharem, ao contrário de algumas bandas-carreiras solo que se vê por aí.
Só que o filé mignon da noite mesmo foi o show do Judas. O Halford já cantou melhor, mas ainda assim é um puta vocalista, melhor que praticamente qualquer um que eu já tenha visto (o Bruce, claro, ainda mantém o posto de melhor do mundo). Não vou comentar música por música do setlist, mesmo porque não lembro cada uma que tocou (eu já tava acabado na hora do show), mas vou comentar alguns momentos especiais:
Eletric Eye: Foi a música de abertura, então dá pra imaginar que eu não ouvi nada, só a galera gritando. A banda entrou primeiro e o Halford só apareceu na hora que a voz entra, subindo por um elevador atrás da bateria.
Metal Gods: Uma das melhores músicas da banda, tocada logo depois de Eletric Eye. Minha voz acabou mais ou menos no meio do segundo refrão.
Judas is Rising e Revolution: Duas músicas do novo disco se seguiram e elas conseguiram ficar melhor ao vivo que no disco, provando que o Judas é uma banda pra tocar ao vivo antes de qualquer coisa.
Beyond the Realms of Death: Pra mim, o ponto alto do show. Essa é umas das melhores músicas da história do heavy metal e a performance dos músicos foi muito foda, conseguindo deixar ela ainda mais pesada. Mérito total de KK Dowling e Glenn Tipton, a melhor dupla de guitarristas que já existiu.
Breakin' the Law: Clássico é clássico e vice-versa.
Painkiller: Foi o fim da primeira parte do show e foi foda! Todo mundo batendo muita cabeça nessa hora e rodinhas surgindo, como um show de metal deve ser.
Hell Bent for Leather: A primeira música do bis. Já seria foda em circunstâncias normais, mas além da música, também foi o momento em que Rob Halford entra no palco com a sua gigantesca Harley Davidson, soando como um trovão!!!!
Living After Midnight: Minha música favorita do Judas depois de Beyond the Realms of Death, foi, como sempre, a penúltima do setlist. Foi seguido por aquele momento em que o Halford canta algo e público todo canta em seguida. Perfeito para animar o público para:
You've Got Another Thing Coming: A última música do setlist, pra fechar com chave de ouro.
Claro que além desses momentos teve vários outros, que foram tocados com maestria e complementam com perfeição esse show de mais de duas horas de duração.
Depois desse show só dá pra esperar eles voltarem ou então um novo show do Iron, porque dificilmente uma outra banda irá superá-los.
Ao som de: Judas Priest - Beyond the Realms of Death